Depois
que o mundo explodiu, não sabia porquê me pus ali. Onde reluzia a luz
de um lugar, que aparentemente, não tinha cor, mas era bonito.E eu
sempre ficava feliz nas vezes que o mundo parecia paralisar. Eu
observo-o, revivo e conserto tudo. Eu recrio mundos.Quando cedo, o sol
invadiu as casas, se ouvia apenas os cânticos matutinos de pássaros
celestiais. Eu tomava um bom café quente - colhidos ali mesmo - enquanto
observava as crianças brincando nos quintais.As pessoas sorriam para
mim, como uma forma de bom dia. Elas eram tão felizes mas comiam e
tomavam pedaços de céu. Prefiro assim, chamar o nada de pedaço de céu,
pois o que as pessoas tinham por dentro eram coisas tão lindas. E elas
sequer faziam questão de compartilhar isso.Eu queria registrar em minha
câmera, mas a pureza daquela vida, me pôs a esquecer; se espantariam com
uma ciência de baixa tecnologia.O sol reluzia a vida. Fazia do rio um
espelho, e refletia o que eu esquecia.Mas enquanto eu registrava em
minha caderneta amassada, uma senhora me pediu uma poesia. Rasguei um
pedaço de minha folha e entreguei-lhe um poema preto em verso branco, e
ela me deu um sorriso e um pedaço de céu.No fim da tarde, encontrei uma
helenita, que também veio de viagem, e antes de tudo, me deixou ávida
por aquela vida. Sua língua vernácula me contou o segredo dali.
Principalmente o que o mundo não sabia. Ali, éramos apenas duas
passageiras de um trem voador, que por qual acaso que fosse, só sabíamos
que não queríamos mais voltar. Procuramos uma sombra e sentamo-nos
embaixo de uma árvore. Foi naquele momento, escrevendo as coisas que a
helenita me contara, que o existencialismo me tomou. Não que a brisa
teria chegado, mas era como se ali, eu estivesse encontrado a minha
alma. E tinha a convicção de que, o que tinha nos ares, com certeza, não
veio das épocas. Era o renascimento das vidas. Cálida, ela despediu-se.
E eu já tinha de ir. Mas antes, deixou comigo, a visão de outro mundo.
Estão planejando a Terra II, e com certeza não se chamará assim.
Autora: Ingrid Jean
