E sempre colocou mesmo assim. Tudo que ele sempre perguntava era apenas "É o suficiente?"
E eu, sorrindo, respondia um ainda mais curto "Sim", que parecia ser de puro contentamento.
Mas não era.
E talvez tenha sido este o meu erro.
Não, eu tenho certeza. Meu erro foi repetir aqueles incontáveis "sim" para ele. Quando gostava, quando desgostava, quando odiava. E apenas continuava repetindo, incessantemente, apenas para ver aquele sorriso de satisfação, aquela alegria genuína de ter mais uma vez me agradado.
Ah, quantos falsos "sim" eu proferi?
Mas logo, tudo foi abaixo. Logo, ele descobriu, e eu compreendi o tamanho de minhas mentiras.
Minhas pequenas mentiras que, com o tempo, se tornaram gigantes, desmoronando tudo o que nós arduamente construímos juntos.
E ele foi embora.
Tudo porque eu queria agradá-lo, porque queria fazê-lo feliz.
Mas talvez tenha sido isto o que ele sempre quis também. Talvez suas incessantes tentativas de acertar minhas preferências fossem apenas o jeito dele de tentar me agradar, de encontrar uma resposta positiva.
Ou talvez tenha sido simplesmente uma imposição, uma tentativa inconsciente de me fazer gostar do mesmo que ele. Eu não sei. E nunca vou saber. Na verdade, sei de apenas uma coisa.
Eu odeio café com leite.
Autora: Natalia Bellieny
