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Estação!

Veria eu, neste veraneio, opção para desvendar todos os nós do coração, da mente, os aglomerados na garganta? 
Prossigo. E sobre os nós que por súbita opção de um só, viraram pó? 
Com essa brincadeira de acentos agudos, tiro o meu chapéu circunflexo e admito: eu perdi. As mãos, o corpo, a lágrima salgada infiltrada no chão frio não impediram sua ida. Sonhei, me comprometi, fiz promessa e tudo ao meu coração... (com o qual não tenho muito mais crédito) que você ficaria comigo, no domingo, mais um dia... na segunda, na semana toda, para a vida inteira. 
Mas... e sempre há um ‘mas’ para as histórias dessa tal chamada vida, da promessa é que tenho mais dor. 
Veio depressa a alegria, mas como a chuva do inverno, o sol que acorda no verão, as folhas do outono, a primavera e seu florir... 
Você foi uma estação. 
Se lembro... é da estação. Da curva cativante do seu sorriso, das mãos hora frias hora geladas, da cor castanho claro, presente do seu olhar. 
Da distância trilhada para longe de nós. Do pós, sem o pré. De você, sem a fé. Do café amargo, na esquina. 
Em meio a acentos agudos, eu sento no banco da praça, tiro o meu chapéu circunflexo e admito: se lembro... é da estação, do trem das 9h, que levou o meu amor.





Autora: Helen Jung










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