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Decepção!

Sabe, sempre te imaginei sendo um personagem de texto do Gabito, o do conto da sorveteria, lá ele cita último romance, que é uma música que tu odeia e eu deixei de ouvi, porque a menina de cabelo colorido, disse que aquela música é dela e do namorado, enfim. Você sempre compreendeu minhas asneiras? 
Sempre me pergunto se teu silêncio era a linguagem que usava pra não me querer por perto, a gente nunca se olhou muito, só nos tocávamos. 
Eu nunca te expliquei ou contei qualquer pensamento e tu, nunca confidenciou por completo alguma crise. Passado anos, eu quero saber, quem és tu que sempre gostei e admirei, porém nunca conheci, quem és? 
Teria você, o rei das boas explicações, alguma resposta sincera e simples? Sei que sinceridade nunca foi tua maior característica. 
Sei falar, também, do que você não é. Do quanto inconstante, difícil e complicado tu é. Você que sempre me pareceu leve e jovem, hoje me parece, velho e louco. 
Tu se tornou a forma da minha decepção.







Autora: Juliana P.










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