Esses textos inteligentes, românticos, extraordinários. Mas não é assim que funciona para mim. O alimento da minha alma de poeta é a dor. Sim, nos dias que o coração sangra, esses são os dias que escrevo meus melhores textos.
E eles não falam sobre casais apaixonados ou coisas assim, ora, eles falam sobre a minha dor. Sobre o que está implorando para sair do peito e eu não deixo. Sou orgulhosa. Covarde.
Escrevo, para quem eu não conheço ler...
É que para mim, escrever é varrer a alma, jogar o que tem de ruim para fora.
E quem é que quer que vejam essa parte? As pessoas mal nos aceitam quando mostramos as partes boas, quem dirá as ruins.
Essas partes que insistem em se libertar nas madrugadas, nos momentos em que o peito dói.
E eu também danço. Danço sentimentos como quem fala abertamente o que sente. Minha dança é minha linguagem, sou eu. São minhas partes mais escuras que as pessoas pensam perceber depois de uma coreografia.
Mas não percebem nada, não sabem de nada.
Autora: Juliana L.
