Às vezes, quando a solidão apertava o peito, indiretamente eu te pedia para ficar; sem palavras, sem apelos, apenas com aquele olhar de quem precisa de um cuidado maior, de uma conquista. Por vezes você entendia, se moldava a minha estranha mania de perder a fé, na minha pouca confiança em dar os primeiros passos. Mas o tempo foi passando, as coisas foram mudando e o dito “amor” foi lentamente se desmanchando, se perdendo em vielas e ruas pelas quais passávamos; nós não retornamos a nenhuma delas, não juntamos os cacos que restaram de discussões, medos e perigos. Continuávamos. E nos perdemos tantas vezes que o tempo se encarregou de apagar de nossa memória. Mas quase sempre nos demos a chance de recomeçar, de tentar outro algo indecifrável. Mas nem todo sempre permanece. E hoje, o que sobrou é uma ausência injustificada, um algo sem definição. Não sobrou muito do que éramos, para falar com exatidão, não sobrou muito para ser comparado. E cada qual para seu lado ficou e naquele velho olhar sobrou uma solidão conhecida e retorcida, embora agora apelasse por sua atenção. O tempo manchou o que escrevemos com tanto cuidado. Autor: Lucas B.