Eu pago pra entrar na minha boate favorita, pra curtir minhas músicas favoritas, subo pro bar da pista de cima e começa a tocar aquela música linda do Coldplay que eu resolvi odiar depois do nosso “até nunca mais” ser posto em prática, era a nossa música, lembra?
Eu poderia parar de reclamar sozinha e descer para a pista de baixo onde minhas amigas provavelmente estão e parar de ouvir essa música, mas não, eu escolhi continuar aqui em cima, estática, me forçando a pensar em você, dilacerando cada lembrança com facas pra depois, em um dia qualquer quando eu escutar essa música de novo eu poder juntar os pedaços, e assim vai.
E quando tiro o olho do meu copo para olhar ao redor, eu vejo você. Não pode ser. Simplesmente é impossível ser.
Minha vida virou um clipe idiota?
Mas era. Era você ali no meio de três garotos bebendo e se divertindo, até que você me olhou, e foi assim que eu terminei de ouvir o finalzinho da música, te olhando, parada em frente ao bar, e assim uma linha reta que ligava nossos olhares se formou, mas nenhum dos dois se movia, e a promessa?
Eu te fiz jurar que nunca mais iria voltar a falar comigo, e você está cumprindo direitinho.
“Ei” Aquele garoto que eu costumo ficar esporadicamente chegou. “O que você está olhando?”
E ele olhou na mesma direção que a minha. “Nada”
Falei que ia ao banheiro, o mandei me esperar onde estava, passei devagarzinho perto de você para poder pelo menos lembrar da cor exata dos seus olhos e…
Não era você, ah, mas é claro que não seria.
Que mania louca de achar que o destino te traria de novo pra mim, por que no fundo eu ainda acho que eu nunca vá conseguir gostar de alguém como um dia eu gostei de você, mesmo que hoje em dia não tenha sobrando nem 5% dos antigos sentimentos.
Mas eu continuei andando, fui ao banheiro, me olhei no espelho e retruquei para mim mesma “Eu ainda odeio aquela música”.
E fui embora.
Autora: Beatriz J.
