Eu te pedi para sair, eu abri a porta e você foi embora, eu te obriguei a permanecer longe e mudei de calçada para não cruzar nossos caminhos de novo, eu joguei contra o nosso destino e ganhei dele, mas perdi pra você, estou cansada de sempre dar o azar de pegar as piores cartas e entregar a vitória do jogo nas suas mãos, é sério.
Até com a sua ausência eu sinto a sua presença, e por horas chega a ser perturbador, por que sinceramente eu te deletei da minha vida, é como se sei lá, você estivesse morto, mas seu fantasma fica aqui do meu lado para me prender a você.
Que macabro! Mas é né, já que você invade cada lugar, cada objeto me faz lembrar até das coisas que não vivemos mas que eu sempre quis que acontecesse. Eu não posso negar, as vezes eu sinto sua falta, mas logo passa.
Eu nunca sei se eu prefiro te repudiar ou sentir sua falta, esse é o grande dilema da minha vida, e se você me perguntasse como eu me sinto, a resposta seria a mesma que você me deu durante esses quatro anos “Me desculpa, mas eu não sei o que eu sinto, as vezes eu acho que gosto de você, as vezes eu acho que não.”
Me desculpas, mas eu não sei o que sinto, as vezes acho que te superei, as vezes acho que não, as vezes acho que nunca te amei, as vezes acho que sempre vou te amar, as vezes acho que você sentia o mesmo, as vezes acho que você não tinha coração, as vezes acho que eu tento te odiar, as vezes acho que não, as vezes eu tenho medo de escolher um lado desse “acho que” e me enganar.
Eu vou sempre achar que alguma coisa poderia acontecer se eu tivesse feito diferente, mas agora já é tarde demais.
Essa hora da noite você já deve estar dormindo, você sempre dormia cedo quando não ficava conversando comigo no telefone até altas horas da madrugada, ou calado, apenas do outro lado da linha fazendo qualquer coisa mas não me deixando sozinha, de qualquer forma eu espero que você durma bem, e continue aí no seu quarto e nem tente vir parar na minha cabeça, por que sinceramente, eu não aguento mais sonhar com você.
Boa noite.
Autora: Thais V.
